terça-feira, 15 de Setembro de 2009

Corrida contra o desencontro.

Se por ti não batesse o coração meu
Nada correria em minhas veias
Para além da desilusão.

Se por ti não trabalhassem meus braços
Na inútil busca de um teu abraço
De nada valeria toda a emoção.

Se não buscasse meu peito preenchimento perfeito
Não haveria mais amor que merecesse respeito.

Se não pensasse eu somente em te
dar sem esperar
Seria eu orgulho e céu, e tu, ausência e mar.
[Imagem: Há sentimentos que nos deixam assim... - Daniel camacho. In Olhares.com]

quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Sexo e amor.

[Imagem: 1226 - Paulo Vieira. In Olhares.com]


Não vejo cumplicidade na bilateralidade do amor actual. Os desejos colidem, na masculinidade do sexo e na feminilidade do coração. Ou estarão sexo e coração unidos em um só? Não consigo conceber mentalmente (embora já tenha experimentado) uma relação que advenha do carnal. Mas, qual homem me convidará para um jantar sem pensar antes na “sobremesa”? Nos dias de hoje, é perfeitamente natural que um homem e uma mulher se conheçam, interessem-se um pelo outro, na maioria das vezes pura e simplesmente fisicamente. A partir daí, o sexo. Natural, animal, humano, prazer por prazer, dar e receber, sem pudor, limitado somente pelo querer de dois. Ok, posso compreender. Só me ultrapassa um pequeno detalhe: cumplicidade. Sexo é sexo. Cumplicidade… isso sim é fogo e ardor! Sexo com amor, fazer amor, não há prazer pontual que substitua. Há quem defenda: porque não se divertir nos “entretantos”? Porque, para mim, sexo não é banalidade. Porque, para mim, momentos de diversão só realçam o vazio da espera. Porque, para mim, a espera de um amor real nada mais é do que a oportunidade de me dedicar a mim mesma, de aprender a me amar cada vez mais. Porque tornar fortuito o sexo é torná-lo frívolo, e sexo com amor é tudo menos trivial. Não me levem a mal, não sou mais uma daquelas frígidas feministas que desprezam qualquer tipo de prazer só pelo facto de se recusarem a se submeter a um homem, seja de que maneira for. Fazer falta, confesso, até faz! Quem não gosta de um chamego? Sim, tenho minhas recaídas. Mas, simplesmente decidi que não quero comer no McDonalds só porque a comida sai rápido. Prefiro esperar por uma refeição bem concebida, que me agrade mais o paladar, mesmo que o restaurante ideal só venha a abrir daqui há uns meses…

domingo, 7 de Junho de 2009

A falta...

Uma luz que me alumia
Um sol que fraco brilha
Um chão me é guia
O breu que se faz dia
E nada desfaz a falta que você me faz.

O céu que azul clama
Paixão que arde em chama
A lágrima que se derrama
O calor que a Terra emana
E nada desfaz a falta que você me faz.

A cor que é mais viva
O ar que se me priva
O olhar que se esquiva
A dor mais aflitiva
E nada desfaz a falta que você me faz.

E o tempo corre lento
Como folha em rebento
Como amor que me é alento
E a saudade que ostento
Mas nada, nada desfaz a falta que você me faz…

Não quero sentir.



Quão néscio é temer seus próprios sentimentos?
Eu temo…
Temo sentir, porque, quando o faço
É com tanta intensidade, tanto ardor
Que o meu sôfrego coração
Enfarta o sobrecarregado miocárdio…
Não quero sentir. Não quero!
Não quero chorar o bêbado abandonado na rua
O amigo preso a uma vácua existência
A mãe violada por suas próprias alucinações
O pai ausente, deliberadamente displicente
O fracasso, cavado debaixo dos meus pés
O chão, que se me ausenta e arrebenta
A solidão ao sentir que sinto só
A desmotivação ao saber que vou sentir, querendo ou não.
Não quero sentir.
Porque o que se sente, raramente é bom.
É frio, cruel, dissimulado e faz-me impotente.
Meu sentir é um agente dissociado de mim
E somos um.
E quem manda aqui não sou eu.


[Imagem: Há sentimentos que nos deixam assim... - Daniel camacho. In Olhares.com]

O que realmente importa?

Hoje e ontem acordei insatisfeita, com um sabor ocre que me adoça a boca, e me faz ansiar por mais. Ontem e hoje contemplei o nada, (re)experimentei velhas memórias (como se alguma dessas nova fosse), viajei ao sabor do tempo até antigos momentos, até perdas inglórias, erros e tropeços que dei. Hoje, mais que ontem, olho à minha volta, relembro o pouco que nesta vida já produzi, e penso comigo: o que realmente importa? De que me vale lamentar um passado tão anódino, tão pouco dignificante? Lamentar o que se perdeu é tão útil e significante quanto sentar-se no escuro e culpar-se porque a luz se apagou. Circunstâncias… e digo isto sem querer me ilibar daquilo que não cumpri. Mas acho que neste interregno em que me presto a chorar pelo que se foi resume-me a menos do que até então fiz. A culpa, comadre da consciência, não só reprime, como também atrasa. Meus erros fazem de mim o que hoje sou. Sou mais ponderada, porque já perdi a calma. Sou mais amável, porque já causei conflitos. Sou mais atenta, porque já pisei em falso… E o que realmente importa? Importa o que eu posso fazer a partir de hoje, a par de tudo o que já deixei por fazer até então. Se eu conseguir contemplar o hoje como um presente tangível, nada no meu passado me afastará do que eu mais anseio no amanhã. Afinal de contas, já dizia o sábio, não é a queda que define o Homem, mas o tempo que ele demora a se levantar…

quarta-feira, 6 de Maio de 2009

Sentir... sem critérios.

[Imagem: É BOM SENTIR A CHUVA - Paulo Madeira. In: Olhares.com]


Sentir… para além de um sorriso
Deixar-se ir…
Sem lamentos nem soluções
Sentir. Sem ressentimentos. Sem ilusões.
Do viver, deixar fluir
Tudo o que se nos faz saber
Que há um mundo,
Que há uma realidade
Que há sonhos, mas por construir.
Que desilusões, frustrações, mil emoções
Estão por vir…
Sentir que o que há, que o que se é
É mais do que se quis, mais do que se previu.
É profundo, é imenso, e nada estéril.
É vivo, o sentir.
E não se pode fugir…
Se é dor, se é medo, se é simples e puro amor
Alegria, paixão, desejo, ou dissabor
O sentir faz-nos vivo
Faz-nos saber o que vale a pena
E que o que dói nos remenda
E nos molda na forma dos nossos próprios sonhos.

Desisto de desistir.

Desisto de desistir,
Carregada solenemente pelo sonho que não é meu.
Falas soltas, de paixões e afectos
Outrora afectas ao que transbordava de mim
São hoje espectros, fantasmas irrequietos
Lembranças de que foi intenso, mas não perpétuo.
Ganhos asas, sem imaginação
E vivo um teu sonho aqui e ali
Com a irreverência de quem não se atreve
A perpetrar sua própria determinação.
Determino um fim, aqui e agora
Para o que não é sentir, mas sofrer.
Esguia, recolho-me para fora de mim
Como se o passado fosse folha de papel
Que rasuro e rasgo
E nego, como rascunho mal traçado.
O viver começa agora, e não ontem.
A alcançar começa hoje, e não amanhã.
Lutar é preciso, hoje e sempre
E hoje, a batalha principal…é contra mim.

domingo, 3 de Maio de 2009

Resiliência

Hoje, como quem não quer nada, esbarrei em um blog bastante “aberto”, e com isto quero dizer, com opiniões de carácter liberto, impudico, livre de prisões morais. Ora, eu como boa menina que sou, o sou em plena consciência de que tais prisões morais fazem parte de mim, mais, delimitam toda a minha personalidade. Gosto de reflectir sobre isto, mas só de vez em quando, nos limites dos meus mecanismos de defesa. Sim, porque de paixões estou eu cheia, mas ainda mais cheia da certeza de que eu as domino a elas, e não elas a mim.
Dentro destas minhas reflexões passam não só pensamentos de promiscuidades, raiva, ressentimento, inveja, tristeza e desespero, confusão, desamor, entre outros, que fazem de mim um verdadeiro monstro. Ou deveria eu dizer HUMANA? Durante anos investi toda a minha força emocional em auto-julgamentos horríveis e cruéis, tentando tudo por tudo para sufocar o meu lado mais impulsivo e menos bonito. Mil e um pensamentos rondam a minha mente a todo instante, e destes me orgulho de muito poucos. Mas hoje, cansada dessa tortura emocional, cheguei a duas conclusões:
1º: ninguém gostaria de ser julgado pelos seus pensamentos. Estes são, muitas vezes, momentos de angústia, explosões de sentimentos, enfim, circunstâncias.
2º: os pensamentos não definem alguém, mas sim a sua capacidade de controla-los. Não só os pensamentos em si, mas toda a emoção que se transforma em atitude, que por si gera o comportamento.
A isso, meus caros, chamo resiliência. E como boa “resiliente” que sou (quase sempre…), cansei de reprimir sentimentos. Entre poemas menos bonitos, e outros mais, o que me importa é enveredar por uma espécie de auto-análise e compreensão. Porque, no dia em que me conheci melhor, descobri que não sabia nada de mim…

[Imagem: Reflexo - Ugly. In: Olhares.com]

Dar é insano.



Se amei, já não amo.
Se espero, já não me engano.
Se me engana, é por ser humano.
Se me entrego, eis mais um engano.
Já não quero, já me seca o pranto.
Pois renego mais um desengano.
Veneramos todo esse encanto.
Mas ao canto, a verdade, sob o pano.
Não há amor, não há verde manto.
Tudo é negro, tudo é insano.
Já não espero, já não amo.
Do que dei, só me resta o dano.
E sou mais uma, neste mundo plano.





[Imagem: Each Scar Tells a Story - Alexander Kharlamov. In: Olhares.com]

Temo.



Quão néscio é temer seus próprios sentimentos?
Eu temo…
Temo sentir, porque, quando o faço
É com tanta intensidade, tanto ardor
Que o meu sôfrego coração
Enfarta o sobrecarregado miocárdio…
Não quero sentir. Não quero!
Não quero chorar o bêbado abandonado na rua
O amigo preso a uma vácua existência
A mãe violada por suas próprias alucinações
O pai ausente, deliberadamente displicente
O fracasso, cavado debaixo dos meus pés
O chão, que se me ausenta e arrebenta
A solidão ao sentir que sinto só
A desmotivação ao saber que vou sentir, querendo ou não.
Não quero sentir.
Porque o que se sente, raramente é bom.
É frio, cruel, dissimulado e faz-me impotente.
Meu sentir é um agente dissociado de mim
E somos um.
E quem manda aqui não sou eu.

[Imagem: Heterónimo - Sara Sá. In: Olhares.com]

terça-feira, 24 de Março de 2009

Sem inspiração...

Ando sem inspiração. Para encontrar um pouco de sossego tive que sufocar o sentimento, e o sentimento é o motor da minha inspiração. Em paz, por agora. Em paz, mas sem alma... Haja calma.

domingo, 15 de Março de 2009

Fim e Recomeço



Tudo é sempre o mesmo…
E cada fim é um recomeço
Que corre lento para um derradeiro fim.
Cada luta é uma aresta
Dessa sólida ilusão em que vivemos.
Corremos, fugimos, acreditamos
Nos consideramos diferentes
Cientes de que, no fim, conquistaremos.
Mas na verdade, tudo é vaidade…
E tudo tem um fim.
Custa lutar, levantar os olhos, acreditar
Para ver o mundo girar
E perceber que voltámos ao mesmo lugar.
Custa crer, e saber que, ao buscar
Ganha-se o sentido
E desoprime-se o espírito nessa luta inglória.
Custa é passar por cá, e deixar uma marca
Uma prova de que se viveu
Um pouco mais intensamente
Um pouco mais despreocupadamente
Um pouco menos infeliz…
E quem sabe, assim, finalmente,
Conseguiremos um dia os olhos fechar
E ver realizado o sonho
Que há muito ousámos sonhar…

[Imagem: Confesso - helena margarida pires de sousa. In Olhares.com]

quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

Absorvidos...


Ah! Beija-me a fronte
E em teu másculo abraço
Deixa eu me inebriar!
Do teu cheiro agridoce
Sugo-te a essência
Delicio-me de peito cheio
Do doce aroma de te ter
Sim, te quero e me abro!
E espero o fim da espera
De te reencontrar
Doce e sereno,
Pronto para me amar…
Dos dedos dos pés
Percorre-me perna acima
A electricidade do teu querer
Com dom que me fascina
E arrepia…
Absorve-me em tuas mãos
E à vibração deste ser
Deixemo-nos envolver
O prazer faz-nos sãos…


[Imagem: Abraço!!! - Hobeika. In Olhares.com]

quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009

Imenso. Infinito.


Na imensidão do Teu amor
Mergulho num Teu olhar
E entre nuvens me reconforto
Entre vagas de céu e luar.
Contemplo-Te no imaginário
E gotas de toque Teu percorrem-me a alma…
És real.
Meio a tantos céus e mares
Encontro-Te.
Reflicto-nos.
Entrego-me.
Segura pela fé, flutuo num Teu olhar
No Teu magistral poder.
Somos novamente Luz
Seguros nas mãos do infinito
Invisível a quem nunca Te amou.




Um muito obrigado aqueles que aderiram à proposta... =)



[Imagem: Coming Back To Life - grENdel. In Olhares.com]

domingo, 8 de Fevereiro de 2009

INTERNET

Meio seco, vazio e frio de comunicação. Mas, ao mesmo tempo, tão vasto, complexo, intenso, infinito. Bate-papos: nada mais impessoal e distante do que linhazinhas de conversa com pessoas que se auto-denominam RedApple_23 ou sexy_kitty21. No entanto, confesso que já conheci mais do que uma pessoa por este meio, e cada uma delas valeu a pena. Não só não fui sequestrada, não clonaram meu cartão e nem me perseguiram até a casa, mas mais do que isso, descobri pessoas interessantes, pessoas que, como eu, deixaram transparecer um pouquinho de si através do ecrã gélido do computador. No entanto, a comunicação fica sempre aquém do calor humano, e sujeita a interpretações... A internet me assusta…. Acho que tenho que admitir para mim própria que, em vários momentos, o meu portátil foi o meu melhor amigo, companhia das horas vagas, das horas a fio madrugada adentro, fazendo downloads de séries e filmes, e acompanhada de cavalheiros como o Dr. House e o King Henry de The Tudors. Tanta informação ao alcance dos olhos, tantas letras vãs, tanto conhecimento rico, vídeos de mortes e imagens que dão vida, textos suicidas e poemas de introspecção, entretenimento grátis e sem fim, notícias dos mais longínquos lugares. Alienação e lavagens cerebrais, opiniões radicais, realidade, mentiras, manipulação e media, marketing (e ofertas e mais ofertas de dinheiro fácil), sexo, sexo e sexo (sex sells…), TARADOS!!!, mais entretenimento, confusão, INFORMAÇÃO. No começo dá medo, mas acho que estou começando a encontrar meus cantinhos nessa balbúrdia de saber (tendencialmente) grátis…


[Imagem: Teclado UnMean - André Centeno de Oliveira. In Olhares.com]

Desafio/Convite

Caros colegas Blogueiros,

Convido a todos aqueles que lêem/acompanham este blog a escreverem sobre o que vos inspira uma determinada imagem! Eu gostei muito da imagem Coming Back To Life de grENdel, no site www.olhares.com. Quantas sensações vivenciaremos nós ao contemplar essa imagem? Quão diferentes (ou semelhantes) serão tais sensações?
Muitos de nós postam imagens ilustrativas dos nossos textos, mas será que tais imagens realmente desperta no leitor aquilo que esperamos?
Veremos! ;)
Diga o que te vem à mente. E espero que futuramente mais sugestões semelhantes possam nos unir, mesmo que temporariamente, em poesia e arte.
Obrigada!

DaiSantos

Amor e Realidade


[Imagem: Free - Marcio Farias. In Olhares.com]


"Ventos de companhia me tocaram a face e, por meros instantes, não mais fui tão só. Vivi o que sonhei, e sonhei que tu me beijavas, e do beijo sorvias pequenas torrentes de mim. Aquela morna brisa que acariciava o corpo meu eram tuas doces palavras, saídas da minh’alma, pronunciadas na tua boca. Amor, união, intimidade e fulgor deixaram de ser palavras; foram vivências minhas e tuas, foram experimentações paralelas de dois espíritos. Amei-te, não como hoje te amo, mas como em algum outro dia amar(te)ei. Foi momento etéreo, intemporal, mais uma expressão da minha incurável utopia. O hoje, em que te amo, é real, duro, cruel, embora palpável. É onde toco teus calos, e exponho as minhas cicatrizes. O hoje, em que te amo, é a desvirtualização do inalcançável, é o lugar onde eu, e tu, e todos os que connosco transladam nessa orbital terrestre, encontramos o verdadeiro (e realizável) significado da felicidade".

terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

"Don't expect for anything... Just care for endless giving.
But... Never expect for a thing."

Oh, Deus... Espero um dia ser capaz... E somente amar, livre de expectativas...

segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

Abandono...

Distinto coração
Néscio, abriu-se ao imaturo
Nada mais deu que amor puro
Em abnegada comoção

Permissivo coração
Fez-se nu em plenilúnio
Expôs a alma ao infortúnio
Em absorvente sedução

Palpitante coração
Sua fé já não apregoa
Quem o amou hoje o magoa
Em obstinada convicção

Esperançoso coração
Demora-se em tristeza
Por quem não vê a pureza
Em lamentável tropeção

Estúpido coração
Ainda chora porque ama
Revolta-se e ainda clama
Em vã expectação

[Imagem: ... - Mircea Marinescu. In Olhares.com]
Conivente coração
Magoa a sôfrega alma
Ao carregar ainda com calma
Tal fatídica ilusão

Devastado coração
Renova-se em esperança
Fiel espera a bonança
Em inerte devoção.


Às vezes caio em tentação, e reflicto se amar vale mesmo a pena.
Ilusão tua e minha...

sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009

Sê livre, Mulher!

"Ela acordou, e relembrou os seus desamores. Relembrou as relações falhadas, os abandonos. Não, não seria como a Luísa de o Primo Basílio, que «sentiu um acréscimo de estima por si mesma» somente ao receber declarações em uma carta de amor, esvaindo-se em desamor assim que o 'amor' se foi.
Olhou-se no espelho, decidida a redescobrir a sua auto-estima, vista não através do olhar de um seu amado, mas com os seus próprios olhos. Tomou um banho demorado, despreocupado. Deixou a água quente escorrer pelo seu corpo nu, como se a própria água se admirasse da sua beleza. Passou a sua loção preferida pelo corpo, como se se tratasse de uma obra de arte. Visão digna de um filme, e sabe-o quem já viu uma mulher preenchida pelo amor-próprio. Penteou-se, mas deixou solto o cabelo, certa da sua sensualidade de mulher bem-amada. Maquiou-se levemente, somente para realçar a profundidade do seu olhar. Sentia-se bonita, sentia-se capaz. Por si, para si, e não porque padrões disseram que aquela era a imagem da beleza. Não porque um homem a contemplou e elogiou. Não porque olhares a seguiram na rua. Não porque mulheres a invejaram. Mas sim porque ela aprendeu a se amar, a se valorizar, com todas as suas dobrinhas e rugazinhas. Porque ela aprendeu a admirar as suas belas e roliças coxas mesmo com algumas estrias e celulites. Porque ela percebeu que as dietas radicais de emagrecimento e os ideais de (falta de) peso nada mais são que agressões ao seu corpo e ao seu espírito. Porque, acima de tudo, ela chegou à conclusão que, o amor que tanto fazia-lhe falta, afinal não viria de fora…"


[ Imagem: Sou Livre em mim... - Marta Ferreira. In Olhares.com]

sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009

Ouço, e calo-me.

Disseram-me que o meu amanhã
É o desabrochar de uma flor
Morta pela raiz.
Disseram-me que o meu fulgor
É o mesmo de quem corre
Sem saber para onde vai.
Disseram que o meu chorar
O é pelo leite derramado
Pelas minhas próprias mãos.
Disseram-me que o meu lutar
É a eutanásia consciente
Do doente paliativo.
Disseram-me que minhas derrotas
São as únicas vitórias
Que algum dia alcançarei.
Disseram-me pedras e lagartos
E beijaram-me a face.
Daí tomo a verdade e a lição de casa
E, em silêncio, digo-lhes:
O espelho que lhes falta
Sejam meus olhos húmidos
E válido seja o amor
Que de mim com unhas arranquei
No momento em que tudo de vós ouvi
E me calei.

[Imagem: Manter calado? - Pedro Miguel Silva. In Olhares.com]

Gray no more

My blood is light pink
For it has lost the passionate redness of life
That runs slowly out of my veins.
It’s just another non-coloured day
In a path painted rainbow like.
I’ve been black, I’ve been white.
I’ve been all that I’ve let myself be.
I’ve been hurt, I’ve been untrue.
I’ve been looking down for too long.
There was a time to be red,
There was a time to be blue.
Now is time for me to choose
And, once again, I choose to love
Like there were never a before
When I was once hurt
When I let my colours fade away...

Now it’s time to be gray no more
Because I have all the colours
Just in front of my eyes...

[Imagem: Cor - Joao Barbosa. In Olhares.com]

sábado, 10 de Janeiro de 2009

Ser Humano...

Aphex Twin - Xtal


[Video in youtube.com]

Um amigo me mostrou esse vídeo. Difícil assistir e não reflectir sobre a vida, sobre actos, consequências e omissões...


Incrível, isso de ser humano… Transformar o mais profundo em banalidade. Ignorar a dor alheia simplesmente por não se conseguir lidar com a própria dor. Ignorar o amor! Lutar por sucesso profissional, reconhecimento social, e tudo o mais que custe menos e tenha mais reconhecimento do que olhar para dentro de si mesmo. Ser humano… procurar liberdade… de tanto tentar ser livre, cair em crise. Crise moral, crise psicológica, crise emocional, crise relacional. Tudo em nome da tal liberdade. Ou deveria eu dizer libertinagem? Assume-se tudo aquilo que delimita a humanidade como opressor e simplista, sem conseguir ver que delimitar não é limitar… A única coisa que limita o ser humano é a sua incapacidade de dar, de se dar… Abrir-se, deixar o outro nos ver, nos sentir, sem medo do julgamento, sem medo da incompreensão… E assim se é humano, vítima e causador de feridas, solidão, desilusão…

“Certo homem, humilde homem do campo, há muitos anos atrás encontrou um filhote de cobra ferido. Tomou-o em suas mãos, levou-o para casa, tratou de suas feridas, chamou-o Cobrinha. Cobrinha cresceu, e seguia o homem onde quer que ele fosse. Dormia nos pés da cama do homem; tornaram-se amigos… Certo dia, o homem acorda e vê a cobra hirta, em posição de ataque, olhando-o fixamente. De repente, num assalto rápido e certeiro, a cobra o morde, instilando todo o seu veneno no corpo do homem. Agonizando, o homem pergunta: porque você me mordeu, Cobrinha? Com uma lágrima no olho, ela responde: faz parte da minha natureza…” (Autor desconhecido)

Prémio Dardos

Cartas em Mim recebeu o Prémio Dardos de Cores em Tons de Cinza! É com muito orgulho que exibirei a imagem do prémio no meu blog, recebido com carinho de um amigo e ser humano extremamente talentoso, a quem devo esse reconhecimento e o incentivo de reiniciar o meu blog.

“Com o Prémio Dardos reconhecem-se os valores que cada blogger, emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os bloggers, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.”


Este prémio obedece a algumas regras:

1) Exibir a imagem do selo;

2) Linkar o blog pelo qual se recebeu a indicação;

3) Escolher outros blogs a quem entregar o Prémio Dardos.



Infelizmente, não acompanho muitos blogs (ainda), mas aqui vão uns poucos dessa imensidão de excelentes blogs por descobrir:

- O rapaz que pensava que o mundo era redondo

- Palavras Que Voam Ao Vento / Whispers In The Wind

- Este Chão que Piso

- Altar da Alma

- Empezar de nuevo

- Auxiliar de Acção Médica

terça-feira, 6 de Janeiro de 2009

Uma só era a intenção...

Uma só era a intenção:
Expressão.
Sem vias nem maneiras
Assim mesmo busquei
Uma forma única de libertar o coração.
O papel foi o lugar
O lápis a alma
E a vontade e o desejo guiaram
Os dedos na missão de salvação.
Um só foi o resultado:
Fracasso.
Para além de reles
Estas palavras nada mais são
Do que a triste esperança
De encontrar o verdadeiro caminho
Para fora dessa prisão
Em que se meteu minh’alma:
Meu corpo.

[Imagem: Caneta - humberto branco. In olhares.com]

sexta-feira, 26 de Dezembro de 2008

Angústia. Amor. Tão distantes...


Hoje, numa fúria, odiei-te. Sim, tu. Sem formalidades, porque tu és tu, e não és mais senhor. E eu sou eu. À tua altura, mas sempre dependente de ti. Sou parte de ti, sou o que sou devido a ti. Tu sabes, mas negas: Envergonhas-te? Juntos fizemos merda. Porque hei-de sozinha a limpar? O teu desamor irritou-me, e de ti cuspo estas palavras duras, indigestas, desonestas, mas nunca frias. Antes quentes, do meu sangue que talhou quando tu me negaste amor.
Hoje, em angústia, amei-te. Engoli cada gesto de minh’alma furibunda. Relevei. Supliquei perdão com uma humildade apagada, mas ciente de que pequei contra o teu furor. Irritei-te? Ama-me somente. Fizemos a merda juntos. Porque hei-de pagar por tudo só? Só eu sei o vazio que a tua voz não preenche. Só eu sei a dor frívola do meu sofrimento teatral. No meu teatro fiz monólogo, na tua ausência paternal. Paternidade tão marcada na filiação cinzelada por cada chinelada que meu bumbum não levou.
Mas a merda já está feita. Ou se limpa, ou não se mexe mais…
[Imagem: thalheim - daniel camacho. In http://olhares.aeiou.pt/]

Na sua presença ausente...

Senti o seu toque
E suas mãos jamais me tocaram
Sua suave essência
Embelezou meu olfacto
Com cheiro que o nariz meu jamais experimentou
Seu olhar profundo
Beijou minh’alma!
Através de ópticas surreais
Virtuais…
Sentir seus lábios foi…
…transcendente!
Transcendemos as barreiras do material.
Nossas peles se tocaram
Nossos lábios se beijaram
Em total ausência carnal.
Senti-te.
Senti o gosto etéreo do beijo indelével
Que nunca recebi…
Sinto a sua falta.


[Imagem: Sinto a loucura vestir o nosso corpo... - Marta Ferreira. In http://olhares.aeiou.pt/]

terça-feira, 16 de Dezembro de 2008

Verdadeira Mãe



Hoje vi a dor de uma mãe que, abandonada pelo seu filho, decidiu amar, sem critérios. Hoje, pelo mais simples e necessários dos actos, vi a emoção no olhar dessa mãe, desolada, amante incansável dos vários filhos seus que nunca pariu. Vi gratidão, pelo pouco, de alguém que tudo possuiu. E que, em tempos, viu-se rasgada, de fora para dentro… Vi seus olhos brilharem, encontrados com os meus, condoídos pelas suas lágrimas. Vi, e amei essa minha mãe, cujo ventre nunca entrei (ou sai). Sei que Deus, somente para quebrar a monotonia da violência desse mundo, mandou ajudantes seus, soldados treinados para aliviara a dor de outrem. E um desses é essa mulher. Tanta dor no olhar, tanto amor no seu abraço… Se há justiça, ver-te-ei nos céus. Se há um céu, foi por pessoas como você que se o fez. Obrigada Pai, por essa grande mãe.
[Imagem: mãe e filha - Raul P Costa. In http://olhares.aeiou.pt/]

Deixo-me engolir...

Sou navegante, ainda não perdida
Tenho um rumo, e fiz-me à despedida
Em mar aberto, sei, não posso fugir
E, entre as ondas, deixo-me engolir

Entre as ondas, uma é a sensação
Sinto o medo, e dói-me o coração
Frágil é meu barco, e remo, afligida
Forte é a maré, são ondas da vida

Forte é a maré, e rara a devoção
Levem-me ondas, pois remo sem vida
Ondas da Vida, salguem-me o coração

Navego constrangida, e vejo o mar se abrir
Dói-me o coração, nu na despedida
E, entre as ondas, deixo-me engolir
[Imagem: Ondas - marii. In: http://olhares.aeiou.pt/]

sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008

Permiti-me sonhar…

Olhava eu em desalento pela janela. Inspirei fundo, submersa no meu próprio ócio. Um aroma despertou minha massa cinzenta: tive a certeza. Parou-se-me a pulsação. Hesitei, mas já o sabia. Virei-me, e confirmei: ali estava você. Seu cheiro era indiscutível. Meus olhos diziam tudo. Minha boca, nada. Seus olhos tocaram meus lábios de forma sagaz. Ansiavam seu beijo, e você sabia. Você se aproximou, e meu sangue voltou a correr. Pulsações. Mais rápidas. Taquicardia. O beijo… Todo o meu corpo se resumiu aos meus lábios, e à minha língua, entrelaçada na sua. Indescritível. Nem meu ser compreendia a força com que eu ansiei este momento. Sua mão direita tocou minha cintura, firme, decidida. Titubeei, mas não recuei. Ia ser sua naquela mesma noite, naquele mesmo quarto, e o desejava. De nada valia lutar. De forma renunciada levei sua outra mão ao meu seio. Você compreendeu. Nossos corpos eram tão próximos, o beijo tão profundo, que nada mais preenchia aquele quarto, a não ser o nosso calor. Subitamente, com força e mil cuidados, você me prendeu contra a parede. Não por temer uma tentativa de fuga minha, mas somente para sentir o estremecer do meu corpo sob o seu jugo. Senti-me pulsar, e sorri. Você riu do meu sorriso bobo. Não querendo deixar transparecer a minha entrega, quis provocar. Virei-me, mexendo com o corpo na sua razão. Suas mãos percorreram do meu pescoço à minha coxa, e quem pulsou foi você. Sorrimos os dois, sabíamos que aquele era o culminar de um amor há muito cultivado. A união derradeira de duas metades. Eu pedi: “toma o que é seu”. Sem solenidades, você acatou, com toda a divindade possível ao mais animal dos actos. A sincronia dos movimentos era perfeita. Você em mim. E éramos um. Mas, de repente… com um som estridente me vejo ser arrastada dali… Era o bendito despertador. Mais um dia começava, e a espera ainda era. Não foi hoje, meu amor. Mas já de mil maneiras sonhei te encontrar. E quando o momento chegar, será tão ou mais mágico. Eu sei.
[Imagem: dois corpos uma só alma II - Filipe Pereira. In http://olhares.aeiou.pt/]

Final feliz (ponto final)

Sinto-me perdida fora de mim. A realidade é dura, e não consigo me penetrar.
Vivi tempos críticos, sonhei um final, lutei vagamente, alcancei um afinal…
A realidade é dura. E o mundo não me constrói; antes, desfaz.



Durante a crise entendi que eu devia mudar, e tentei. Não com todas as minhas forças. Não com os olhos fixos no objectivo. Olhei para os lados, baixei a guarda, e cai. Derrubada ou não, me vi no chão. Mas não demorei a levantar a cabeça.







Sempre o faço, demore o tempo que demorar, mas... tenho medo.

Tenho tanto medo de falhar! Sempre sonhei, e alto sonhei. Materializei os desejos do coração meu, mas as mãos não colaboraram. Perdi para o mais ordinário dos inimigos: a procrastinação. Subestimei-a. Sobrestimei-me. E errei. Todos olharam, e me viram cair. Alguns riram, e talvez até já visassem a queda. Outros, indiferentes, comentaram a antevisão do acontecimento. Outros (poucos) lamentaram, e comigo choraram. Me estenderam as mãos, e se dispuseram a ao meu lado encontrar uma solução. Mesmo assim, tenho medo. Não por esses poucos, mas por mim. Vejo que em mim há alento. E o fôlego que em mim se mantém me impele. Mas temo, somente a mim.

Tenho a alma viva e o espírito inerte.


Já tantas vezes beijei o chão que já não sei se consigo endireitar-me e olhar o céu. Vejo-me a caminhar parada, paralisada na motivação que se esvai. Visualizo o sonho, mas não me vejo capaz de o realizar. E se eu caio? E se, afinal, não sou capaz? Sou a menina que, pela décima, vez caiu da bicicleta... Mas não, não desisto.


Isto só será o fim se eu colocar o ponto final. Reticências me bastam, por agora, e sempre. Pois cada derrota faz parte do ser que em mim se (re)forma. Sou insatisfeita, e quero sempre mais. Serei aquilo que eu construir, e mais. Doem-me os primeiros passos. Mas seguirei. Porque eu faço o meu final (feliz).
[Imagem: Cair e levantar... - Vanessa Rezende. In http://olhares.aeiou.pt/]

quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

Pensamento da Vez - Certezas...

Uma certeza é tudo o que se precisa para se seguir rumo ao sucesso. Mesmo quando todos duvidam de nós, quando tudo parece errado, quando os problemas parecem não ter fim, quando os recursos parecem ser insuficientes, tudo o que se precisa é uma certeza. Confiar no amor de Deus, saber que aquela pessoa te ama e te apoia, ter certeza de que é capaz, saber que a resposta irá chegar, conseguir visualizar o fim almejado. É tudo o que se precisa para chegar lá, mesmo que tudo indique o contrário. Há sempre vários caminhos para o sucesso. O primeiro passo é visualizar o objectivo. Todos os passos seguintes passam por não perdê-lo de vista.

quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008

Voar... e pousar os pés no chão.

[Viver é voar mais alto... - Helena Margarida Pires de Sousa (In http://olhares.aeiou.pt/)]


Sentada à janela, olhei o ar
Fitei o vazio, observei a multidão
Absorvi a velocidade das coisas
Com a lentidão de um metabolismo acelerado.
Vi passar lentos
Corpos sem significados
Apressados nos seus objectivos
Sem identidade, nem expressão.
Vi de perto, e decidi me afastar.
Armei-me com as minhas asas
E voei…
Mergulhei para além do que me prende
Para além do que me atordoa
Num voo paradoxal
Sem pressas nem destino
Senti o vento acariciar meu rosto
Senti como se tudo estivesse bem
Como se o vento sussurrasse
“Não chores mais”…
Olhei para baixo
Vi as multidões automáticas
Vi o labirinto em que vivo.
Entendi o meu desespero;
Vi a saída.
Desci em pique, e entendi
Que o melhor de poder voar é ter onde (re)pousar.
Respirei fundo o ar da liberdade
Enchi os pulmões e o coração com a certeza de que
Quando eu voltasse a me sentir
Perdida e sem rumo
Poderia sempre voltar a voar
E no vasto céu, de longe, novas perspectivas formar
Me reencontrar…

E então, finalmente,
senti os pés no chão.

All is full of love.


(All is full of love - Bjork)

Ages com amor. Não te conheço, mas posso senti-lo…
Olha a tua volta. Em todo lado há amor!
Mecânico, pálido, sem devoção…
Reconheces esse amor? Eu também não.
Robótico, vendido, sem emoção.
Olha a tua volta, tudo está cheio de amor…
Vê as vitrines, montadas para te captar
Como mosca em teia de aranha…
Em tudo há tanto amor… Tu é que não o recebes!

Falaste-me de amor. E eu entendi.
Mas tuas curtas palavras não estão à venda.
E a profundidade do que fazes não se expõe em uma promoção...

All is full of love
The love of fools… And we just aint receiving.
If you look deeper
You can fly in the thoughts of a simple fly…
When did we become mechanical human beings?
So let’s not get caught in this massive spider web.
They can sell empty dreams
To cold and superficial robotsBut they cannot buy the profundity and the details of a true heart…

Para Mister Fly, Um novo amigo, uma nova inspiração...

quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008

Derrubada no chão...

Hoje sou uma lágrima de dor.
Não quis Deus que fosse a derradeira
Mas hei-me finda, finada, finalmente…
Horrores sentimentais, torturas emocionais
Enchentes e enchentes de maus pensamentos
E comportamentos sem atitude
Destruíram minhas pontes
(não num instante, mas em anos e anos de decisões não tomadas)…
Queria eu poder justificar tamanha dificuldade
Minh'alma tem encontrado para transpor suas barreiras.
Queria eu achar culpado para o homicídio que em mim se deu.
Mas sou mortos e feridos sem inimigos nem guerra...
Devastei-me, debaixo do meu próprio nariz
Enquanto convencia a mim própria
De que tudo seria diferente desta vez.
E desta vez… foi tudo como sempre.
Sinto-me sem chão.
Sinto-me sem teto.
Sem paredes.
E chove…
Será que a genética se poderia culpar
Para justificar tamanho malogro?
(Choro)…
Não há culpas, só há culpado.
Não há respostas, só há perguntas.
Não há saída, mas ainda há caminho. Duro…
E para o seguir não pode ser a encarar o chão.
Mas não há força, nem motivação.
Há as réstias de esperança de um futuro menos medíocre
E isso se tiverem razão aqueles que afirmam
Que não há sucesso sem fracassos…

terça-feira, 25 de Novembro de 2008

Resumo...

Estou bem. Sinto-me resumida.
Não diminuída, mas contida dentro de mim.
Acho que estou aprendendo a viver com as minhas desilusões.
Aprendi que grandes expectativas também trazem grandes frustrações.
Mas nunca deixei de acreditar que não valia a sonhar alto.
Sou Fernão Capelo Gaivota (1)
Quero mais que o alimento! Quero aprender a voar!
Quero o Céu com gostinho terreno

Quero o profundo do mar, sem perder os pés da areia…

Quero tanto, que tive que me conter em mim.
Sinto-me resumida. Sinto-me bem.
Resumo grandes sonhos a uma espera bem viva…


(1) - Fernão Capelo Gaivota - Richard Bach

Reconhecimento.

Todos precisamos de reconhecimento.
Um parabéns aqui, um sorriso de congratulação ali…
Alguém desconhecido que nos aprecie o trabalho
Alguém conhecido que nos reconheça o esforço
Reforço da nossa dedicação, do nosso empenho.
Todos ficamos radiantes quando o nosso suor é enxugado pelo olhar de admiração alheio. Admiração. Reconhecimento. Respeito.
Todos precisamos dele.
As nossas vitórias são muito nossas, mas com o outro tornam-se maiores.
Partilhar nossas conquistas faz-nos maiores, e saber partilhar a conquista dos outros então… Isso sim faz-nos grande.
Mas… se assim é, porque custa tanto a alguns simplesmente dizer “Parabéns”?

terça-feira, 11 de Novembro de 2008

O sabor do tudo não mais ter...

Ah! Alma minha!
Que te prende nessa imensidão sem cor?
Será o cheiro doce daqueles que amas
Mas que, quando beijados, revelam acre sabor
Simplesmente por se contemplar o beijo último?
Ah, coração meu…
Teu pecado é tão e somente amar
Pois só quem amou compreende o peso de tamanho ardor…
Só quem beijou, compreende da distância dos lábios a dor
Só quem do melhor fruto provou
Compreende o mais selectivo paladar.
Se não te querias magoar
Não mergulhasses o teu olhar
Nas profundezas do que te absorveu
(E o sabias)
Ah… alma minha…
Presa na imensidão da ausência
De tudo o que viveu, de tudo o que sentiu, e amou…
E este arrepio que soou a grito
E te ameaçou a existência desenxabida
Foi o mesmo que se deu no dia em que teu tudo se desvaneceu.
Ah, coração meu… somente beija!
Agora fraqueja, mas não temas, e abre fronteiras, pois
Mais amores te irão tocar
Quanto menos barreiras impingires à tua emoção

sábado, 8 de Novembro de 2008

Como este blog ressurgiu...

O vento era insistente, tentava por cada fresta forçar a sua entrada. Mas nada mais cabia naquele quarto; estava preenchido com o meu ser. E assim vou-vos contar como descobri que, afinal, sou feliz.
Mais uma manhã insurgia da neblina fria, húmida e cruel, em mais um dia de outono, mais um dia nessa prisão chamada vida. Madrugada de Novembro. E eu ainda não dormira. Mil ideias me cercavam o pensamento, convergindo de forma ordeira e atroz rumo a uma verdade: estou me redescobrindo. E assim decidi escrever. Decidi reflectir, entender como tudo evoluiu rumo ao ser que hoje sou. Decidi me conhecer, já que há muito que não me reconheço.
Meu nome não importa, pois há muito aprendi que em muito mais se debruça a minha identidade. Sou conhecida em terra estranha, sou parte da terra, sou foragida. Sou fragmentos sem fim de vivências, sonhos, amores e desilusões. Sou tudo aquilo que fiz, tudo o que escolhi, tudo o que amei. Sou aqueles que deixei, sou as críticas que ouvi. E agora, mais do que tudo, sou a redenção de um ser magoado que procura se reconhecer no mais profundo sentimento que até então não me atrevi a ouvir. Sou muitas histórias, desde que nasci. E são estas histórias que espero colocar aqui, no meu papel virtual, com tudo o que não compreendi, com tudo o que tenho para dar. Senhoras e senhores, para vós: As cartas que eu nunca escrevi.

Caiu-vos o véu

Sinto muito
Sinto por todos nós
Sinto por todos nós que fomos um no meu infinito
Sinto muito porque a dor tocou
Quando o véu da indecência caiu.
Eu vi-vos a face, e o meu amor corou.
Vi o que nunca imaginei, e chorei.
Sinto muito, porque os sonhos
Os sonhos foram amigos da desilusão.
Vi-vos o rosto, meus queridos
E nada apagará a dor do nada que de nós restou.
Sinto muito, porque também não sou só razão
Mas aprendi a crescer dentro do meu próprio vão
E vós, vós não.
Sinto muito, se o vazio que há em vós
É preenchido somente pelo som vazio
Do que, em vão, grita a vossa voz.
Agora, agora estais sós
Porque eu vi-vos o rosto;
O véu que vos encobria caiu.
E sinto, porque dói
E dói, logo sinto, e muito o sinto
Porque o que havia de nós, não mais pôde existir
No instante em que caiu-vos o véu.

Quero ir para casa...

Tanto oco, tanta voz, tanta emoção
Mas ninguém diz nada…
É tudo vazio, tudo ilusão
Tanto amor à venda, tanta sedução
Mas nada me seduz…
E tudo é só paixão.
Cada vez que eu creio, e me entrego
Sou só mais uma
E em mim mais um rasgão…
Haverá amor? Cadê o amor?!
Tantos vêm, e encantam…
Mas eu não sei quem são, nem de onde são.
Só sei que sou mais que uma dor
Mais que uma ilusão
Mais que um dissabor
Mais que uma missão
Mais que um prazer
Ou que uma omissão.
Quem me consegue ver
Deve saber que não pertenço aqui
Mas que sou alma e coração
E quando achar minhas asas
Retornarei.
E aqueles que hoje reinam
Não mais me ferirão.
Não mais me tocarão.

As Cartas em Mim

Há cartas em mim que eu nunca hei-de escrever.
São palavras perdidas
Que vieram como chuva em tempestade:
Pesaram o coração, secaram as águas
Restaram sobras de monção.

Estas cartas em mim, ninguém nunca há-de ler.
São dedicações, explicações
Indagações, restos de um coração
São fés já derrubadas
São crenças feitas em espadas

As cartas em mim, não as posso revelar
São letras que, nem em grande esforço,
Se poderiam ajuntar
E, mesmo juntas, sentido algum fariam
Mesmo que fossem lidas com o coração

Tais cartas são em mim, mas eu não as escrevi.
Foram talhadas em carne viva
Pelas cruéis mãos do destino
Afirmadas pelas mãos do Poeta Divino
E borradas pelas más escolhas que fiz.